Padrões que se repetem nos relacionamentos: um olhar da Gestalt-terapia

Você já reparou que, mesmo mudando de parceiro, de cidade ou até de país, certos conflitos parecem sempre voltar? A mesma sensação de insegurança, o mesmo tipo de discussão, a mesma dificuldade de confiar ou de se abrir. Isso não é apenas uma coincidência e também não significa que algo está "errado" com você. Na Gestalt-terapia, entendemos isso como ajustamentos criativos: formas que encontramos, em algum momento da vida, para lidar com o que era difícil demais de sentir ou enfrentar sozinho.

Ajustamentos que já não servem mais
Quando somos crianças, desenvolvemos maneiras de nos relacionar que, naquele contexto, faziam todo sentido — se afastar para não sofrer uma rejeição, antecipar o que o outro precisa para garantir afeto, evitar o conflito para manter o vínculo. Esses ajustamentos foram criativos porque nos permitiram continuar em contato com o mundo, mesmo diante de situações difíceis.
O problema é que muitos desses ajustamentos continuam se repetindo automaticamente, anos depois, em contextos completamente diferentes e é aí que aquilo que antes nos protegia começa a nos limitar. É uma forma de funcionar que ficou "congelada" no tempo, e que hoje talvez já não represente o que você é ou precisa.
O que a Gestalt-terapia observa: o aqui e agora
Diferente de abordagens que buscam uma causa única no passado, a Gestalt-terapia dá atenção especial ao que acontece no momento presente — como você se sente enquanto fala sobre determinada situação, o que seu corpo faz, onde sua atenção se dirige, o que fica em primeiro plano (figura) e o que fica em segundo plano (fundo) na sua experiência.
Esse olhar para o presente não ignora a história de cada um, porque ela aparece o tempo todo, viva, na forma como você reage aqui e agora. Mas em vez de interpretar o passado à distância, trabalhamos com o que está se manifestando entre nós, na relação terapêutica, que também é um espaço de contato e de experimentação.
Consciência (awareness) como ponto de partida
Um dos conceitos centrais da Gestalt-terapia é a awareness, que é a capacidade de estar consciente do que se passa consigo mesmo, com o outro e com o ambiente, momento a momento. Não se trata de analisar racionalmente por que você age de determinado jeito, mas de ampliar a percepção sobre o que está acontecendo enquanto acontece.
É essa consciência ampliada que abre espaço para escolhas diferentes. Quando um padrão se torna consciente — quando deixa de ser automático e passa a ser percebido —, a pessoa ganha a possibilidade de responder de um jeito novo, em vez de reagir sempre da mesma forma.
Perceber já é um movimento
Dentro da Gestalt-terapia, não existe uma "resposta certa" a ser entregue por quem conduz o processo. O trabalho é construído em conjunto, sessão a sessão, ampliando a consciência sobre o que se repete — nos relacionamentos amorosos, na relação com a família, ou na forma como você lida com suas próprias emoções no dia a dia.
Perceber um padrão, sentir como ele se manifesta no presente, e reconhecer sua função ao longo da sua história já é, em si, um movimento significativo. A partir daí, cada processo segue no seu próprio ritmo, sem pressa e sem fórmula pronta.
Se você sente que gostaria de compreender melhor seus padrões, suas relações e a forma como tem vivido suas experiências, estou à disposição para te ouvir.
Julia Bett, psicóloga (CRP 08/26288), formada pela UFPR, Gestalt-terapeuta, e atendo online há mais de 8 anos, inclusive brasileiros vivendo no exterior.



